O Brasil sempre foi um grande produtor de esportistas ao longo da história, seja no futebol, basquete, atletismo, tênis, artes marciais, entre outras modalidades. Dessa maneira, é comum os atletas do país chegarem nas principais competições do mundo em seu esporte praticado.

Quando o assunto é basquete, a competição auge é a NBA, e o Brasil já foi representado na Liga por atletas como Leandrinho e Anderson Varejão. Porém, fora das quadras o país possui Fernando Pereira, conhecido também por Nandes, como um grande nome do mundo dos treinadores.

Atualmente, o comandante é treinador pessoal de Rudy Gobert, astro da equipe francesa e da NBA. O Esportelândia entrevistou Nandes de forma exclusiva, na conversa com os repórteres Otávio Antunes e Nicollas Almeida, Fernando falou da performance dos brasileiros na NBA. Além disso, de como o fã brasileiro muitas vezes não sabe tratar uma referência esportiva do país. Confira!

Brasil na NBA

A liga estadunidense é a principal competição de equipes do mundo, sendo considerado por muitos o grande objetivo esportivo de um atleta do basquete. O torneio foi criado em 1946 como Basketball Association of America (BAA), mas em 1949, após a fusão com a National Basketball League (NBL), tornou-se a National Basketball Association (NBA).

Desde então, vários jogadores de diversos paíse tiveram a oportunidade de disputar o campeonato, seja na pré-temporada, na Summer League e até a temporada regular. Dessa maneira, com os brasileiros não foi diferente, os primeiros a disputarem a NBA foram Rolando Ferreira e Pipoka na temporada de 1988/89.

Além dos dois, Nenê Hilário, Leandrinho, Alex Garcia, Rafael Araújo, Anderson Varejão, Marquinhos, Tiago Splitter, Fab Melo, Scott Machado, Vitor Faverani, Lucas Bebê, Raulzinho, Bruno Caboclo, Cristiano Felício, Marcelinho Huertas e Didi também disputaram a temporada regular.

Fernando Pereira e o tratamento com os ídolos do basquete brasileiro

Como dito anteriormente, Nandes é treinador pessoal de Rudy Gobert, jogador do Minnesota Timberwolves, a dupla trabalha junta desde 2020. Pela história brasileira no mundo do basquete, o comandante foi perguntado se Gobert possui alguma referência brasileira, como ele trabalha essa questão. Assim também, quem Fernando admira.

Prontamente, Nandes destacou o nome de Oscar Schmidt, o Mão Santa, que não disputou a NBA para continuar representando o Brasil. Pereira afirmou que em proporções o brasileiro não sabe tratar seus ídolos e que o Mão Santa foi o único conhecido brasileiro conhecido na NBA por muitos anos:

O primeiro livro que eu li esportivo foi do Oscar Schmidt, quando eu tinha 13 anos. O Brasil trata muito mal os seus ídolos, o Oscar é gigantesco no meio do basquete, quando você fala com os treinadores de 45 anos para cima, falou Brasil os caras sabem o nome, o único nome que eles sabem é dele.

Depois veio Leandrinho, olha só, teve 40 anos sem saber nome de ninguém, aí vem Leandrinho, Nenê, Splitter, aí sim o Brasil começou a ser respeitado novamente, depois de 2005, vamos dizer assim. Mas entre 1980 e 2005, só Oscar Schmidt era o nome, então, esse cara é muito grande para o basquete brasileiro”.

Nandes e a sua admiração por Raulzinho

Fernando Pereira destacou a sua ideia de jogo preferida, um jogo coletivo e ofensivo. Desse modo, destacou uma pessoa que ele gosta muito no meio do basquete: Raul Togni. A justificativa foi os conselhos de jogo recebidos:

Eu gosto muito da questão da tática ofensiva, um jogo mais coletivo. Então, eu admiro muito o pai do Raulzinho, que foi meu técnico, o Raul pai, gosto muito dos conselhos de jogo dele”.

Assim também, Nandes contou que admira muito a performance apresentada por Raulzinho, filho de seu antigo mentor, que jogou a NBA por muitos anos, mesmo sem ser titular. Algo que classificou como muito difícil:

Admiro o Raulzinho, eu já trabalhei com ele muitos anos, é um cara inspirador. Ele estava na NBA, na batalha para ser titular e quando você não é, tem que estar muito bem para você não ser dispensado no outro ano.

O Raulzinho jogou oito anos na NBA sem ser titular, isso é muito difícil, você sobreviver. Eu estava em reuniões lá no Jazz e eles falavam ‘esse aqui não está tão bem dá para trazer outro, dinheiro não é problema’. É um grande nome a gente tem que admirar muito”.

A saber, na liga estadunidense, Raulzinho defendeu cinco franquias entre 2015 e 2023: Utah Jazz, Salt Lake City Stars, Philadelphia 76ers, Washington Wizards e Cleveland Cavaliers.

Neste ano, o jogador rumou para o Fenerbahçe, da liga turca. Vai ser a terceira equipe europeia que o armador vai defender, anteriormente jogou por Gipuzkoa Basket
e UCAM Murcia, da Espanha. O movimento elogiado por Nandes, que destacou que Raulzinho possui chance de voltar a disputa a NBA futuramente:

Eu achei muito legal da parte dele de voltar para Europa, de querer jogar mais, de ter um papel mais importante, nada impede de voltar pra NBA novamente. Eles querem quem bota a bola na cesta, você está botando a bola na cesta você volta, não importa seu país, a sua idade, eles querem quem põe a bola na cesta e quem ajuda o time a vencer”. 

A geração mais potente do Brasil no basquete dos últimos anos

Ao longo da história, o basquete brasileiro possuiu um grande destaque conquistando muitas medalhas em diversas épocas. Os destaques são os títulos da Copa do Mundo de Basquete de 1959 e 1963, guiados por Kanela.

O Brasil ressurgiu com Oscar Schmidt e compania ao conquistar vários Pan-Americanos e Sul-Americanos. Por outro lado, Nandes cita outra grande geração do basquete do país, mas que passou sem medalha Olímpica ou Mundial, devido a alta concorrência.

Eu tenho uma honra muito grande do basquete brasileiro. O Oscar Schimidt é o grande nome para gente no exterior. Mas essa geração Leandrinho, Nenê, Varejão, foi uma pena não ter uma medalha Olímpica ou Mundial, eles mereciam”.

O treinador de Rudy Gobert destacou a potência que a seleção tinha e usou o exemplo de ter feito um jogo de igual para igual com o Estados Unidos, até então a melhor equipe do mundo. A partida foi pelo Mundial de 2010, na qual o Brasil perdeu por 70 x 68, mas teve azar em uma bola que girou no aro, mas não caiu, seria a cesta da vitória:

É uma geração mais potente que o Brasil já teve, uma pena que o basquete mundial estava muito forte também. E aí, tem um pouquinho da sorte o basquete, não deu sorte no chaveamento e pegou o Estados Unidos. Na época era uma geração jovem do Estados Unidos e que o Brasil foi o único que conseguiu dar pau com eles”.