O basquete é uma das modalidades mais amadas mundo afora, seja pelo jogo coletivo ou o talento individual que conquista os fãs. Neste sentido, nos últimos anos, um dos grandes nomes franceses da modalidade é Rudy Gobert, que joga na posição de pivô e atualmente defende o Minnesota Timberwolves, equipe que disputa a NBA.

O jogador da liga de basquete mais disputada do mundo possui como treinador pessoal o brasileiro Fernando Pereira, conhecido como Nandes. O comandante é especializado em neurociência e trabalha com Gobert desde 2020, assim conhece as habilidades do pivô como poucos.

O Esportelândia teve a oportunidade de entrevistar Nandes, que falou sobre o protagonismo de Rudy na seleção francesa. Além disso, projetou um pouco do estilo de jogo que eles podem utilizar para a Olímpiada de 2024, na qual eles serão sede, já que o evento vai ser celebrado em Paris. Confira!

Rudy Gobert e sua carreira

O jogador chegou na NBA no ano de 2013 quando foi draftado pelo Denver Nuggets, mas foi negociado rapidamente com o Utah Jazz, onde ficou até 2022. Na equipe Gobert se destacou pela sua altura e seu jogo equilibrado, com alta taxa de pontos e rebotes ao longo dos anos. No ano de 2023, o pivô foi para o Minnesota Timberwolves.

Nos 10 anos de profissional na NBA, Rudy Gobert foi eleito como o melhor defensor da Liga em três oportunidades, em 2018, 2019, 2021. Além disso, foi o líder de rebotes da NBA, em 2022, e de tocos, em 2017. Na seleção francesa, o pivô conquistou a prata Olímpica, em Tóquio 2020, a prata na Eurobasket, em 2022, e o bronze no Campeonato Mundial de 2014 e 2019.

Fernando Pereira exalta Rudy Gobert

Como dito anteriormente, Nandes é especialista em neurociência e a utiliza muito em seus métodos de treinamento esportivo. O brasileiro trabalha com o pivô francês pessoalmente desde 2020, por isso o conhece como poucos.

Com o intuito de conversar sobre a neurociência no esporte e Rudy Gobert, os repórteres Otávio Antunes e Nicollas Almeida entrevistaram Fernando Pereira. Um dos assuntos da conversa foi a melhora significativa do pivô em aproveitamentos dito ofensivos, já que ele se destacou muito na parte defensiva do jogo.

Então, quando questionado se o trabalho ao longo desses três anos pode ser um dos pontos que leve Gobert a ser o principal jogador da França, Nandes foi claro ao destacar que ele pode contribuir com o coletivo, mas que não vai ser o cara da pontuação:

Eu já estou acompanhando o treinamentos, acompanhando o passado todo, fui no EuroBasket junto, faço parte da comissão, só não é oficial. Ele pode ser um dos pilares muito importantes, mas de uma forma geral, ajuda no ataque, deu toco, faz bloqueio.

Aí vai ter jogo que o Nando de Colo está muito bem, eles vão ter que dobrar nele, ele vai ter como finalizar porque hoje ele tem mais habilidades ofensivas. Mas que ele vai pegar a bola, chamar o jogo, isso não vai acontecer vai fazer pontos dentro da naturalidade do jogo”.

A França era vista como uma postulante a ir longe na Copa do Mundo de Basquete, algo que não ocorreu, já que a seleção foi eliminada na primeira fase do torneio. Mas, o jogo coletivo ainda pode servir para os próximos campeonatos, como a Olimpíada de 2024, fato que o próprio Fernando Pereira trouxe a tona:

O ponto principal da seleção francesa hoje é o Evan Furnier, ofensivo, e a coletividade de Nando de Colo, Nicolas Batum, o time da França ele conseguiu juntar coletividade, por isso que ele chegou na final das últimas olimpíadas.

O último time que bateu nos Estados Unidos foi a França, no primeiro jogo das Olimpíadas do ano passado, na partida de classificação das Olimpíadas. Chegou na final e perdeu, mas não se bate o Estados Unidos com um cara fazendo 40 pontos, é muito raro, tem que ser todo mundo fazendo 15 aí você ganha do Estados Unidos.

E é isso que a França vem demonstrando agora com Nando de Colo, Batum, Eva Fournier vai ter um jogo que o Fourner vai fazer 30 pontos, vai, mas todo mundo teve que ajudar ali porque dobraram no Nando de Colo e sobrou para o outro”.

A motivação da contratação de Nandes por Rudy Gobert

O técnico pessoal do jogador da NBA também tocou no motivo da sua contratação. Para o profissional, Gobert viu a necessidade de melhorar habilidades cerebrais para a tomada de decisão, a sua especialidade. Justamente pelo aumento do jogo coletivo no basquete:

Quando eu fui contratado pelo Rudy, quando ele recebia a bola há 4 anos existiam limitações de habilidades cerebrais de perceber, de antecipar, que é a minha especialidade, ensinar isso”.

Assim também, Nandes tocou os pontos que trabalha com Rudy Gobert e elogia a sua evolução geral. Entretanto, afirmou que o pivô francês não vai de defensor do ano para fazer 30 pontos por jogo:

Venho trabalhando para que ele melhore essas habilidades e ele melhorou muito os números, estatísticas, capacidade e tipos de finalizações. A cesta de 3 pontos é só um sinalzinho, mas que não é o carro chefe dele, tudo isso faz ele ser um jogador melhor.

Mas ele não vai ter uma mudança de foi 3 anos defensor do ano da NBA, olha que interessante, só duas pessoas conseguiram, Mutombo e Rudy, e vai agora fazer 30 pontos por jogo, isso não vai acontecer”.