Uma linha tênue separando o racismo e o machismo enraizado na sociedade foram os principais desafios que as mulheres negras enfrentaram para chegar aos esportes.

E foi justamente diante dessas dificuldades extremas sociais e de preconceitos que a força feminina teve que sobressair. Tomadas pelo desejo de liberdade em praticar esporte e fazer história, muitas mulheres negras venceram e, hoje servem de inspiração para todos.

Pioneiras no esporte

E no ‘Dia da Consciência Negra’, vamos exaltá-las, contar um pouco sobre a trajetória e conquistas dessas guerreiras que buscaram pela igualdade de gênero e, racial. Enfrentando barreiras do esporte e do preconceito.

Melânia Luz

Com 20 anos, Melânia Luz foi a primeira mulher negra a representar o Brasil nas Olimpíadas de Londres em 1948, nasceu em São Paulo.

Negras mulheres no esporte
Foto: Reprodução

Treinada pelo alemão, Dietrich Gerner, participou nos 200m rasos e no revezamento 4x100m, conquistando o recorde sul-americano. Integrante da pioneira equipe feminina de atletismo do país, Melânia continuou a competir até aos 70 anos.

Sua trajetória não apenas quebrou barreiras raciais, mas também inspirou e inspira gerações, destacando-se como uma figura emblemática no esporte brasileiro.

Wanda dos Santos

Inspirada pela trajetória atleta anterior, Wanda dos Santos seguiu os caminhos do atletismo e se tornou a segunda mulher negra a representar o país em Olimpíadas, sediada em Helsinque, na Finlândia, no ano de 1952, onde estabeleceu um novo recorde na corrida de 80 m com barreiras.

11 mulheres negras e pioneiras no esporte brasileiro
Foto: Reprodução

Sua trajetória iniciou no Pan de Buenos Aires em 1951, quando conquistou a medalha de bronze no salto. Quatro anos depois, nos Jogos Pan-Americanos no México, ela novamente se destacou, garantindo mais uma medalha de bronze nos 80 metros com barreiras. Ela não parou por aí, continuou a brilhar no esporte e garantiu também a prata no Pan de Chicago em 1959 e o bronze no Pan de São Paulo em 1963.

Aída dos Santos

A trajetória da atleta rumo às Olimpíadas de Tóquio 1964 foi marcada por muitos desafios, o racismo, o preconceito, mas também a oposição familiar. Entretanto, ela se manteve firme no seu objetivo.

11 mulheres negras e pioneiras no esporte brasileiro
Foto: Arquivo/Agência Estado

Sem ter uma estrutura adequada, teve que disputar a prova com um pé quebrado e mesmo assim, conquistou o quarto lugar no salto em altura. Um momento histórico para o esporte feminino no Brasil, feito que perdurou por 30 anos até a conquista do ouro por Jaqueline e Sandra no vôlei de praia em 1996, em Atlanta.

Irenice Rodrigues

Muito além dos tradicionais obstáculos enfrentados por mulheres negras, Irenice teve coragem de sobra para desafiar a ditadura militar e as forças políticas ao participar dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1967.

11 mulheres negras e pioneiras no esporte brasileiro
Foto: Reprodução

Em uma modalidade até então dominada por homens, ela reafirmou seu recorde sul-americano dos 800mts. Além disso, protestou contra as condições precárias oferecidas aos atletas, especialmente os negros.

Graças a sua coragem e resistência, liderou uma greve contra o Comitê Olímpico do Brasil, resultando em sua exclusão das Olimpíadas de 1968, no México, após um incidente, e a eliminação de seus registros esportivos.

Fofão

A ex-levantadora da seleção brasileira feminina de vôlei, iniciou sua trajetória aos 17 anos, convocada pela primeira vez em 1993, pelo técnico Bernardinho. Já em 1996, conquistou sua primeira medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta, repetindo o feito em Sydney, em 2000.

Fofão levantadora da seleção brasileira
Foto: Divulgação/FPV

Contudo, o ápice de sua carreira aconteceu em Pequim, 2008, quando garantiu o ouro e se tornou a única mulher do vôlei nacional a participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos, registrando mais de 300 jogos pelo Brasil e dezenas de títulos conquistados ao longo de três décadas.

Janeth Arcain

Com uma transição rápida do vôlei para o basquete, o tempo mostrou que a decisão foi acertada ao longo de uma carreira repleta de conquistas. Alcançando destaque nas Olimpíadas, contribuiu na conquista da medalha de prata em Atlanta 1996 e a de bronze em Sydney 2000, além de conquistar o ouro no Pan de Havana em 1991 e um título mundial na Austrália em 1994.

Janeth Arcain melhores jogadores brasileiros de basquete da história
Foto: Divulgação

Na seleção brasileira marcou como a terceira maior cestinha, com 2.247 pontos, mas também brilhou na WNBA, conquistando quatro títulos com o Houston Comets de 1997 a 2005. Reconhecendo seus 24 anos dedicados ao esporte, Janeth foi honrada com a inclusão no Hall da Fama do Basquete em 2019. 

Daiane dos Santos

Nascida no Rio Grande do Sul, alcançou destaque internacional aos 16 anos, quando conquistou o pódio no Pan de Winnipeg, em 1999. Quatro anos mais tarde, ela fez história se tornando a primeira campeã mundial de ginástica do Brasil, conquistando a medalha de ouro no solo ao som da icônica composição “Brasileirinho” de Waldir Azevedo.

11 mulheres negras e pioneiras no esporte brasileiro
Foto: Icon Sport

Ao longo de sua carreira, Daiane participou de quatro Jogos Olímpicos: Sydney, Atenas, Pequim e Londres. Sua trajetória foi tão marcante na ginástica artística que dois movimentos ganharam seu sobrenome: o duplo twist carpado (Dos Santos I) e o duplo twist esticado (Dos Santos II). 

Ketleyn Quadros

Ketleyn Quadros, cativada pelo judô durante sua infância em Ceilândia, Brasília, teve seu interesse despertado quando o clube de natação local estendeu a oportunidade de aulas de judô para crianças em situação vulnerável. Essa generosa iniciativa foi o ponto de partida para sua notável trajetória no esporte. Em 2008, nas Olimpíadas de Pequim, ela fez história ao conquistar a medalha de bronze na categoria até 57kg, tornando-se a primeira brasileira a alcançar tal feito em esportes individuais. Onze anos depois, seu talento brilhou novamente. Em 2019, no Grand Slam de Brasília, Ketleyn alcançou a medalha de ouro na categoria até 63kg, reforçando sua posição de destaque no judô feminino.

11 mulheres negras e pioneiras no esporte brasileiro
Foto: Divulgação/COB

Vale destacar que Ketleyn integra uma modalidade que, até 1992, era exclusiva para homens nos Jogos Olímpicos, contribuindo para a quebra de barreiras de gênero no cenário esportivo internacional.

Adriana Araújo

Adriana Araújo se dividiu entre a sua paixão pelo boxe e o trabalho como agente de saúde no início de sua carreira. Entretanto, em 2012, seu desempenho fez seu nome entrar para história da modalidade ao garantir a primeira medalha olímpica no boxe feminino, nos Jogos Olímpicos de Londres.

Adriana Araújo primeira mulher brasileira a ser medalhista no boxe olímpico
Foto: Reprodução

Vale ressaltar que a edição de 2012 marcou a estreia do boxe feminino nas Olimpíadas, e o bronze conquistado por Adriana foi ainda mais importante , visto que representou a medalha de n° 100 do Brasil na história olímpica. Já em 2019, a pugilista conquistou o título mundial silver do Conselho Mundial de Boxe na categoria super-leves.

Rafaela Silva

Ao iniciar no esporte, Rafaela colocou como meta profissional a conquista de uma medalha olímpica e devido a grande determinação, conseguiu tornar realidade conquistando a medalha de ouro na categoria peso leve (57kg) nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Foto: (Icon Sport) - Rafaela Silva é uma das representantes do Brasil nas finais do judô no Pan-Americano
Foto: Icon Sport

O feito marcou a atleta como a única judoca brasileira a alcançar títulos olímpicos e mundiais. Isso porque no começou em 2013, ela conquistou o primeiro ouro em mundiais de judô por uma mulher brasileira. Vale destacar que essa vitória ocorreu dois anos após ela ter ganhado a prata na mesma competição.

Rebeca Andrade

Recentemente, uma atleta jovem mais talentosa escreveu seu nome no esporte nacional ao se tornar a primeira brasileira a conquistar o título mundial do individual geral na Ginástica Artística, um feito inédito para a ginástica artística brasileira.

dobradinha no pódio Rebeca Andrade
Divulgação/Ricardo Bufolin/CBG

Essa conquista consolida definitivamente Rebeca Andrade como uma das melhores atletas da modalidade no Brasil. Com essa vitória, ela chega a terceira medalha no currículo, somando aos feitos do Mundial do ano anterior, em Kitakyushu, no Japão, onde conquistou o ouro no salto e a prata nas barras assimétricas.

O desempenho de Rebeca Andrade marca sua posição como uma das grandes estrelas da ginástica artística mundiais.

E que várias outras mulheres continuem fazendo a diferença, quebrando tabus, engrossando a lista de campeãs e ganhando o merecido destaque, além de se tornar inspiração para geração jovem.