As vésperas da primeira partida da final no Campeonato Paulista de Basquete, a equipe do Esportelândia conseguiu conversar com o presidente da FPB, Enyo Correia. Enfim, confira: exclusiva com Enyo Correia, presidente da Federação Paulista de Basquete.

Exclusiva com Enyo Correia, presidente da Federação Paulista de Basquete
Exclusiva com Enyo Correia, presidente da Federação Paulista de Basquete

Agradecimento aos envolvidos

A seguir é possível acompanhar o bate-pronto com o presidente, mas antes fica aqui o agradecimento pela atenção da Federação Paulista de Basquete e claro, do próprio Enyo que tirou um tempinho para atender as perguntas da equipe. Agora, sim, confira o que rolou.

Exclusiva com Enyo Correia, presidente da Federação Paulista de Basquete:

Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal
  • Como presidente da Federação, como é ter uma final entre os atuais campeões da Champions League das Américas e do NBB?

No caso, é muito importante e mostra que nós estamos no caminho certo. Que a federação em parceria com os clubes, tentando cada vez mais melhorar, aprimorar e crescer o nosso basquetebol estadual, vem buscando formas em tentarmos cada vez mais oportunizarmos, massificarmos e levar com brilhantismo o nosso basquete, o trabalho desses profissionais para esse público maravilhoso aí que nos atende sempre.

Então, para nós, é muito importante, motivo de orgulho, termos finalistas campeões da Champions League das Américas e do Campeonato Nacional. Importante para todos, tanto para eles que vão participar das finais quanto para os outros que disputam o campeonato.

  • De uma forma geral nos esportes, você acha que o estado de São Paulo tem uma quantidade de organizações mais preparadas? Se sim, quais são os motivos no seu entendimento e experiência?

Eu não vou dizer que São Paulo é melhor ou pior. Mas acho que São Paulo está muito bem preparada, sim, quanto as organizações de equipes, qualidade dos nossos profissionais, dos nossos atletas e a quantidade de jogos.

Acho que o sistema, feito para tentar atender todos de uma forma geral… de um clube com melhor poder aquisitivo, outro clube que tem um menor, sabe? Nós tentamos fazê-lo com bastante legalidade e equilíbrio, procurando oportunizar cada vez mais nossos jovens e crianças, afinal é o nosso fomento, entende? No geral, acredito que estamos muito bem preparados e organizados para qualquer tipo de competição e estrutura necessária.

  • As pessoas falam muito dos jogadores e clubes nas competições, mas nem sempre dos bastidores de uma organização. O Paulista é um dos estaduais mais relevantes do país. Como é a rotina do presidente da FPB? Qual seria a parte mais prazerosa e a mais difícil de seu trabalho na organização?

É uma boa pergunta… sobre os bastidores, organização… muito legal. Bom, primeiro o basquete paulista já tem sua relevância, né? Ele é natural disso. E quanto a rotina de um presidente da federação, ele tem que se dedicar ao máximo para qualquer tipo de situação, resolvendo quaisquer que apareçam, inclusive para as que surjam repentinamente. Além disso, buscar sempre recursos, formas melhores de aprimorar as competições, a busca de captação de clubes, sabe? … Como que a gente pode oportunizar equipes que tem mais e menos dinheiro?

Enfim, são lutas e situações diárias que acontecem na nossa vida, umas proporcionadas, outras que acontecem naturalmente… para estarmos sempre buscando uma melhoria pro basquete… a parte de que mais me agrada é quando você conquista alguma coisa… quando você tem êxito nos teus propósitos, nos planejamentos, ele acontece com maior tranquilidade, sabe? Pra gente, uma das coisas mais prazerosas também é ver o trabalho da base. Essa criançada se desenvolvendo e crescendo cada vez mais dentro da modalidade que buscamos sempre uma magnitude cada vez melhor.Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal

Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal

  • O brasileiro Gui Santos que atuava no Minas foi draftado recentemente para o Golden State Warriors, atual campeão da NBA. Além da atenção que jogadores como o Gui despertam, a liga brasileira transparece mais organização e competitividade hoje. O que você acha que falta para o nosso basquete hoje ser visto por mais países?

Sobre o atleta draftado, é sempre uma consequência do trabalho que vem sendo feito e oportunizado a eles. Tanto na formação, desenvolvimento e qualificação dos atletas. Na verdade, é sempre uma consequência… você trabalha, instrui, busca, você dá situações benéficas aos atletas e, consequentemente, as estrelas acabam brilhando mais. É uma reação em cadeia. Gostaríamos que tivéssemos mais Guis em todo o Brasil e São Paulo também. É muito relevante para a conclusão.

Agora, o que acho que falta para o nosso basquete brasileiro? Bom, é uma maior união das instituições que organizam os campeonatos. Uma parceria, uma proximidade maior e melhor, um sentar numa mesa pra verificar quais são as dificuldades, os caminhos a serem percorridos para fazermos de uma maneira geral um basquetebol mais elevado, de um alto nível de excelência, sabe?

Dentro dos estados que não fazem muito basquete ou que fazem pouco, os que fazem mais tem que ter uma interação maior. Acho que as instituições maiores também tem que se conversar, sentar e planejar. O planejamento é muito importante e não ficar com melindres, sabe? De repente você tomar o meu espaço ou eu tomar o seu… acho que com isso nós não chegamos a nada. Isso dificulta e acaba atravancando o desenvolvimento do nosso basquetebol nacional.

  • Dentro dessa linha de raciocínio e tendo como base uma camada de brasileiros cada vez mais simpatizantes com o basquete, especialmente a NBA, o que falta para o nosso basquete receber mais atenção como no futebol?

Essa próxima pergunta é legal, mas tem muita particularidade. Por exemplo, eu vou te falar o que eu imagino que dentro de uma expertise possa ser que melhore, tendo uma visualização, uma procura próxima ao futebol… Igual a gente não vai ter porque mundialmente são muitos países que pagam muito… a oferta e procura é discrepante dos outros esportes.

Mas enfim, acho que tendo uma união entre as instituições que fazem o basquete, traçar linhas e planejamento de como que a gente vai chegar, como vamos construir isso como um todo. Uma metodologia de treinamento na base, formação dos nossos técnicos, módulos de formação para quem vai dirigir tais níveis, sabe? Acho que com isso conseguimos unificar mais o nosso basquete e ter um padrão. Buscar material humano, um investimento melhor na formação lá embaixo com a rede escolar, estados e municípios… desenvolvendo o esporte seja ele qual for, dentre eles o nosso basquetebol. Acho que tudo isso vislumbraria mais a iniciativa privada e principalmente projetos de aproximação desse esporte.

Por último, a iniciativa pública também, melhorar e estimular o esporte. Porque a iniciativa pública fazendo isso, governo federal, estadual e municipal também, acabará tendo uma agregação de patrocinadores e empresas que queiram buscar o esporte como uma ferramenta de marketing. Isso é muito importante. E não somente na parte social. É fazer o esporte por ser social. O esporte é competitivo por si só. Além disso, existem estudos de que um real gasto no esporte são quatro reais gastos a menos na saúde… infelizmente, não temos essa filosofia administrativa aqui. Enfim, isso tudo acho que corrobora para vir mais patrocinadores de todos os segmentos… uma loja que queira, sim, colocar o nome dele na camisa de uma equipe, sabe? Que queira ter essa representatividade. Essa valorização ainda não temos nacionalmente.

Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal
  • Para finalizar, São Paulo e Franca se enfrentam mais uma vez na final, mas além dessa rivalidade, como você vê a competitividade no cenário nacional dos próximos anos? Teremos uma competitividade variada ou ainda veremos mais dinastias como a recente do Flamengo?

Essa última pergunta ela é de grande importância e preocupação também, né? Nós tivemos aí uma dobradinha novamente do ano passado pra cá, Franca e São Paulo. O São Paulo foi campeão ano passado e esse ano temos os dois finalistas novamente, porém é uma situação diferenciada. Porque o São Paulo ficou em quarto lugar este ano. Ano passado, terminou em primeiro. Franca tinha terminado em segundo lugar ano passado e esse ano continuou, atrás somente do Paulistano. O São Paulo tirou o primeiro colocado da competição que foi o Paulistano. Que poderia ter perdido e hoje seria Paulistano e Franca na final.

Enfim, ainda estaria equilibrada essa reta final. Como também Bauru ganhou a primeira do Franca. Poderia ter Bauru na final contra o São Paulo, Paulistano… Em resumo, o campeonato é marcado por um equilíbrio diferenciado. Acho que não pode ficar marcado como de repente uma dinastia… Franca tem tidos muitos bons resultados… tanto nacional como internacional, mas é pelo trabalho que vem sendo feito. Por isso prezo muito pela aquela condição das instituições se organizarem, se planejarem. Pois o SESI Franca hoje é exemplo de um planejamento. Se há uma deficiência na tua equipe, você busca uma peça que completa aquilo, como o Franca, e não há esmo, sabe? Então, isso faz parte de um planejamento, uma estrutura de calendário que o próprio clube faz. E foi isso que preguei na resposta anterior… que esse planejamento, das instituições, ele é muito louvável para esse destaque em nossa modalidade nacionalmente.

Por fim, a primeira partida de São Paulo x Franca é possível acompanhar no canal de YouTube do Franca. Cabe lembrar que se enfrentam neste domingo (9), a partir das 11h (horário de Brasília), no Ginásio do São Paulo, Jardim Leonor, São Paulo. Este jogo é o primeiro de três possíveis confrontos válidos pela final do Campeonato Paulista de Basquete 2022.

 

Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal