Aproveitando o último Dia das Mulheres que aconteceu nesta semana (8 de março), o Esportelândia fez algumas perguntas a Yvone Duarte, esse exemplo de fortaleza em forma de mulher.
Uma lenda da modalidade, Yvone já compartilhou um pouco de sua história aqui no site, disponível no final deste, mas algumas perguntas ficaram de fora.
Trazer uma representatividade para as mulheres significava entender uma história que pudesse inspirar outras a perseguir seus objetivos. Através do jiu-jitsu e esporte em geral, Yvone saiu de Roraima e se tornou a mestra Yvone Duarte.
Uma mulher de fibra em um mundo que demanda cada mais exemplares deste calibre. Confira nossa exclusiva com Yvone Duarte, a 1ª primeira mulher faixa coral de jiu-jitsu no mundo.
Conversa com a mestra do jiu-jitsu, Yvone Duarte

O jiu-jitsu pode ser uma ferramenta para ampliar sua rede social. Conheci pessoas, fiz amigos e amigas da vida toda no tatame.
Yvone já viajou o mundo. De Roraima, Amazônia, para diversas regiões do Brasil e mundo, a mestra da arte suave passou. Como uma espécie de bandeira do esporte, Yvone Duarte deu aulas em Academias de Polícia, à equipe de mulheres de organismos internacionais, como a UNICEF, Banco Mundial e OMS.
Dentro disso, também contribuiu com ensinamentos em universidades com programas de autodefesa voltados a pessoas vulnerabilizadas como mulheres ameaçadas, que sofrem diversos tipos de violência física, psicológica, entre outros.
Acima de tudo, esta mulher representa um “sim” para o desenvolvimento das mulheres. A mestra reforça que a prática do jiu-jitsu pode ser usada como ferramenta de empoderamento. Isto é, como dispositivo para a diminuição da sensação de insegurança, segundo suas próprias palavras.

Relação familiar
Só para ilustrar, a mestra não é a única referência da família no jiu-jitsu. Pascoal Duarte, seu irmão, também é faixa coral. Na verdade, recentemente conquistou a faixa coral vermelha e branca, um grau mais alto ainda.
Falamos dessa relação de irmãos e como é ver a trajetória de ambos, hoje como referências, sendo o irmão o primeiro a ingressar no esporte e logo Yvone demonstrando potencial para tal.
Meu irmão sempre foi meu grande amigo. E como tal me levou ao encontro do jiu-jitsu. Ia ver as lutas dele na faixa azul e roxa, frequentava o ambiente das competições… quando abriram espaço na academia Osvaldo Alves para a participação das mulheres, meu irmão me levou logo nos primeiros dias.
Temos muita afinidade. Pascoal é uma referência fundamental, tem uma guarda incrível, um jogo muito técnico e como professor de educação física traz também outros elementos contributivos. É uma honra ser sua irmã!

Exclusiva com Yvone Duarte: desafios e experiências no jiu-jitsu

Dentre as competições que disputou, qual foi mais desafiadora para você?
Foi a final do absoluto da faixa preta. Uma luta difícil. A diferença de peso passava de 10 kg, em 1991.
Com uma visão de dentro, qual é a importância dos “Gracies” no esporte e como é sua relação com eles?
A família Gracie está implicada em todo o desenvolvimento do jiu-jitsu no Brasil. É a fonte de todas as escolas. Tenho um enorme respeito à história do Jiu-jitsu marcada pelos seus fundadores. Tenho amizade e respeito pela família Gracie.
Yvone Duarte: metas a cumprir e mensagem final

Qual conselho você daria para as mulheres? Especialmente as brasileiras.
Meu conselho é fazer jiu-jitsu e evitar relações violentas.
Após tanto ensinar e aprender, qual momento mais te toca até hoje no esporte?
Quando vejo alguém evoluir simultaneamente no jiu-jitsu e nos desafios da vida.
Existe algo que ainda não conseguiu realizar?
Quero ensinar jiu-jitsu ao meu neto, Felipe!

Para finalizar, qual é o legado que a “Yvone Duarte” quer deixar? Qual é a mensagem que você quer deixar para o mundo?
Penso que já dei minha contribuição. Quero muito que, no jiu-jitsu, as mulheres sejam respeitadas. Que alcancemos os mesmos direitos, mesmos salários, os mesmos prêmios e os mesmos lugares que os homens. Por que não?

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Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal