Durante o Campeonato Carioca de Powerlifting deste último final de semana, o presidente da GPC no Brasil, Valdemir, conversou com o site Esportelândia. Valdemir passou por temas como crescimento do esporte no Brasil e mundo, além do espírito que faz da modalidade um ambiente cada vez mais agregador.

Presidente da GPC explica evolução do powerlifting no Brasil

Como a maioria dos esportes, no powerlifting existem federações. Só para ilustrar, no futebol existe a FIFA (Fédération Internationale de Football Association) como maior órgão, mas em cada país há múltiplas federações como a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e por aí vai.

Dentre as federações no powerlifting está a GPC (Global Powerlifting Committee). A GPC é uma federação mundial que dá vaga para campeonatos mundiais via ranqueamentos nas competições pela federação. O presidente da GPC no Brasil, Valdemir, é responsável não só pelo Brasil, mas por todo o continente da América.

O presidente da GPC no Brasil destacou o crescimento da mesma ao redor do mundo, reforçando que a GPC alcança cerca de 50 países hoje.

O powerlifting é base para vários outros esportes, pro jiu-jitsu, taekwondo, futebol americano, basquete… pro cara desenvolver dentro da modalidade esportiva dele, ele precisa do treinamento de força.

Por esta razão que a modalidade pode se considerar autossustentável, pois ajuda os demais seguimentos. — disse Valdemir sobre o poder direta e indiretamente do powerlifting.

Presidente da GPC é o primeiro da direita para a esquerda com camisa branca (Divulgação/Arquivo Pessoal)
Presidente da GPC é o primeiro da direita para a esquerda com camisa branca (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Desafios com investimentos

O powerlifting era tratado como uma modalidade qualquer. Um esporte aonde se treina de maneira relaxada. ‘Ah, eu faço supino na minha academia e vou competir’.

Hoje isso não existe mais, a gente acabou com isso. A gente vem mudando essa cara do esporte. O negócio passou de qualquer coisa para um esporte de alto nível. — disse o presidente da GPC no Brasil.

Liliane Souza participou do Carioca e venceu novamente em sua categoria. Ao todo, foram:

  • 1º Lugar no Supino;
  • 1º Lugar no Terra;
  • Maior peso no Terra na categoria Open.
Liliane Souza vence no Carioca outra vez (Divulgação/Arquivo Pessoal)
Liliane Souza vence no Carioca outra vez (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Multicampeã da modalidade, a atleta já concedeu entrevista ao site ano passado falando da quantidade de primeiros lugares e ainda assim poucos patrocínios.

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O esporte segue em fase de desenvolvimento. Ano passado, Liliane havia conquistado vaga no Mundial de Powerlifting na Eslováquia, mas não conseguiu viajar por falta de patrocínios.

De certa forma, há empresas que seguem relutantes em investir na modalidade, mesmo que suas marcas possam ser vista ao nível internacional, como seria no caso de Liliane pelo Mundial de Powerlifting na Eslováquia.

Evolução da modalidade

Valdemir destacou a evolução significativa do powerlifting nos últimos dez anos. Com uma mudança na base de treinamento dos atletas e até mesmo na maneira que os treinadores preparam os atletas, o powerlifting começou a vivenciar uma melhora dos recordes e consequentemente em visibilidade também.

A gente começou a abrir o livro, a colocar base de treinamento no Brasil… Hoje já tem município que ajuda atletas de sua região. Pela nossa federação a ajuda de custo está entre 600 — 1,200 reais. Isso vai de cada região.

Apesar do powerlifting não ser um esporte olímpico, temos direito a lei de incentivo ao esporte. Hoje, um filiado que se destaca pode levar a documentação para buscar o auxílio. Na federação a gente tem projetos com auxílios (inter)nacionais. – disse o presidente da GPC.

Dentro disso, Valdemir disse que os auxílios podem passar dos 1,200 reais para atletas de powerlifting que competem internacionalmente. Segundo o presidente, com o aumento da divulgação, a valorização profissional será questão de tempo. Valdemir acredita que nos próximos quatro, cinco anos o cenário pode ser diferente.

Powerlifting: mais do que competir, uma busca pela evolução pessoal

Uma modalidade muitas vezes solitária no treinamento, mas que carrega um incentivo coletivo. Durante o Campeonato Carioca, concorrentes torciam uns pelos outros. O presidente reforçou essa camaradagem.

O legal da modalidade é isso, esse incentivo coletivo. Sempre tento passar isso para eles.

Claro que todos querem ganhar, mas quando você torce pelo concorrente realizar uma grande marca, você se obriga a melhorar sua performance pessoal, como um parceiro de treino.

Por isso é um ambiente acolhedor. Isso ajuda o esporte a crescer, tanto é que os recordes do esporte estão cada vez mais altos. – disse o presidente da GPC.

O que fazer para competir no powerlifting?

Por fim, Valdemir explicou com detalhes como entrar nesse mundo do powerlifting. A título de informação, mais dúvidas podem ser tiradas no site (gpcbrasil.com) ou Instagram (@gpc_brasil).

A pessoa não é obrigada a se federar para competir. Ela pode competir em algumas possibilidades, mas não bate recorde e nem recebe documentação da federação.

Documentação é para buscar o auxílio e para tal precisa de uma sequência de competições, até mesmo se quiser competir internacionalmente.

Resumindo, quem quiser participar frenquentemente de competições e receber auxílio, precisa se filiar. O valor é praticamente simbólico. De fato, é mais para manter o lado profissional (escritório, advogados, etc.). – finalizou o presidente da GPC.