Com certeza, Mário Mattiacci, também conhecido como Doutor Bodybuilder, é um dos atletas que acompanharam a evolução do fisiculturismo e o seu crescimento nos últimos anos.
Mattiacci, que estreou no esporte na década de 90, esteve presente na jornada completa do bodybuilding no nosso país. Desde as épocas entre as disputas de academias até os tempos atuais, quando o Brasil se tornou um dos países mais importantes do esporte.
Diante disso, em entrevista exclusiva ao Esportelândia, Mário Mattiacci relatou todos os pontos que percebeu se alterarem durante essa evolução do fisiculturismo. Antes de mais nada, clique aqui e confira a história completa do Doutor Bodybuilder no culturismo.
Academia se tornou algo diferente do que era há 20 anos
De fato, a academia foi evoluindo ao longo dos tempos. Saindo do âmbito do fisiculturismo, fica claro que, atualmente, o negócio por trás dos ginásios de musculação envolve outras pessoas que não são atletas.
Assim, andando lado a lado com a evolução dos aparelhos, a academia se tornou um ambiente mais aberto, chamando a atenção do público geral.
Os aparelhos naquela época eram muito simplórios. As mecânicas não eram boas como de hoje. Para nós eram boas. Também eram marcas nacionais, como a Pórtico e a Righetto.
Nesse mesmo aspecto, outros atletas, como Jorlan Vieira e Paulo Lima, já afirmaram, em podcasts como Renato Cariani, que viram mudanças positivas desde aquela época. Por exemplo, os professores de academia não precisavam do CREF (Conselho Regional de Educação Física) para trabalharem. Assim, o ambiente de academia era menos seguro e chamativo para quem estava iniciando.
O clube fechado dos bodybuilders – A dificuldade de competir antigamente
Partindo para o aspecto do fisiculturismo, Mário relatou que, quando começou no esporte, era tudo mais difícil. Informações que hoje em dia temos aos montes, em páginas do Instagram e sites, eram raramente encontradas em bancas de jornais.
Naquela época (1990) não tinha nada. As revistas no Brasil eram muito fininhas. Quem conseguia ter mais informação era quem comprava as americanas, que eram mais grossas.
Além desse aspecto, voltado para quem consome o fisiculturismo, há uma grande mudança do fisiculturismo quando se trata da hora de subir no palco.
Atualmente, com a chegada da Muscle Contest no Brasil e o crescimento de outras federações amadoras, competir tornou- se algo bem mais viável, contanto que o competidor tenha o físico necessário para isso.
Naquela época era difícil competir. Os campeonatos eram realizados uma vez no ano. Não tinha um monte de federação. Para você competir você tinha que passar por várias etapas, não era só ir direto para competição.
Comparando com os dias atuais, qualquer um pode se inscrever em um regional e, posteriormente, em um Pro Qualifier. Entretanto, Mário deixou um exemplo de como antigamente isso era bem mais complicado.
Tinha uma seletiva regional para ir competir no Paulista. Então, por exemplo, em São Paulo, tinha seletiva no interior, no sul. Aí só os campeões e vice podiam ir pro Paulistão. Quem fosse campeão no Paulistão representava o estado de São Paulo no Brasileiro, e assim vai indo até o mundial.
A evolução do fisiculturismo trouxe lados positivos para o esporte
Por fim, já ficou claro que, com os relatos dados até agora, a evolução do fisiculturismo trouxe mais benefícios tanto para quem é atleta quanto para quem ama o esporte como fã.
Com isso, o bodybuilding veio se tornando uma ferramenta de sucesso nas mídias. Assim, é normal encontrar competidores com mais de 200 mil seguidores nas redes sociais. Ou seja, a popularização do esporte trouxe pontos positivos até para quem quer iniciar no culturismo.
Hoje em dia tá muito mais fácil. Questão da marmita, isso era coisa de “bóia-fria”, era uma coisa inconcebível. Mas hoje virou moda.
Outro ponto levantado por Mário foi a questão da suplementação. Hoje, marcas de suplementos possuem lojas próprias, revendedores de sucesso e até um time de atletas que recebem altos salários por mês.
Entretanto, Mattiacci afirmou que chegar com um suplemento em casa era a mesma coisa que chegar com esteróides anabolizantes pela falta de informação das pessoas que não estavam inseridas no meio.
Eu fui pegar lecitina de soja e um outro polivitamínico, e aí deu uma briga em casa. Pensavam que era droga.
Ou seja, diante de todo o relato dado por Mário Mattiacci, ficou claro e evidente que a evolução do fisiculturismo da década de 90 até hoje foi positiva. Além de atrair mais pessoas e, consequentemente, dinheiro para este mercado, o crescimento do esporte finalizou com uma série de preconceitos antigos da população brasileira.