A transição de atletas entre modalidades esportivas é um fenômeno fascinante, apesar de não ser tão comum. No fisiculturismo, a categoria Fitness pode ser uma nova casa para ginastas como Rebeca Andrade após a aposentadoria.
Mas pensar em Rebeca no fisiculturismo é uma forçação de barra? Não! Primeiramente, a atleta já recebeu convite para participar do Mr. Olympia como comentarista. Então, exploramos essa possibilidade, mas como atleta, e como a experiência de ginasta pode ser uma vantagem significativa na categoria fitness do fisiculturismo.
A conexão entre ginástica artística e fisiculturismo que poderia levar Rebeca Andrade ao bodybuilding
O fisiculturismo, particularmente na categoria Fitness, exige uma combinação de força, estética e performance artística. Michellinha Souza, bicampeã amadora do Mr. Olympia Brasil e especialista na área, comenta sobre a sinergia entre ginástica artística e fisiculturismo.
A atleta das categorias Figure e Fitness afirma, em entrevista exclusiva ao Esportelândia, que Rebeca Andrade poderia competir tranquilamente no bodybuilding, principalmente devido as suas altas habilidades como ginasta.
Sim, é possível Rebeca Andrade migrar para o fisiculturismo após a aposentadoria da ginástica artística. Por que qual é o futuro das atletas de ginástica olímpica após a aposentadoria? Ou vira treinadora de ginástica, ou vai para o circo.
Michellinha complementa dizendo que esse cruzamento de carreiras é cada vez mais comum no fisiculturismo no exterior, já que muitas ginastas se tornam competidoras no bodybuilding após suas carreiras esportivas.
A maioria das atletas de fitness coreográficas no exterior são ex-ginastas. Portanto, a experiência em coreografias e acrobacias é um trunfo na competição. Mas, infelizmente, no Brasil, poucas pessoas conhecem a categoria fitness.
O que é a categoria fitness no fisiculturismo?
A categoria fitness no fisiculturismo é uma das mais desafiadoras, pois representa um equilíbrio entre 50% de preparação física e 50% de apresentação artística.
Isso significa que os competidores devem não apenas exibir um físico bem definido, mas também demonstrar habilidades de dança e acrobacias.
Para uma ginasta, essa é uma área onde ela já se destaca, pois a técnica e a expressividade que desenvolveram ao longo de anos de treinamento podem ser aproveitadas no palco. Michellinha explica a rotina puxada na modalidade:
Temos a rotina normal de qualquer outro atleta de outra categoria do fisiculturismo, porém é muito mais desgastante.
As ginastas, ao se aposentarem, já têm um nível de condicionamento físico que facilita a adaptação para as exigências do fisiculturismo, especialmente na categoria Fitness.
A campeã do Mr. Olympia 2024, Missy Truscott, em sua apresentação na categoria Fitness
A idade e o tempo de carreira na ginástica artística e no fisiculturismo
Outro ponto importante é a idade de aposentadoria das ginastas. Enquanto a maioria delas encerra suas carreiras competitivas entre os 30 e 32 anos, devido às exigências físicas da modalidade.
Entretanto, o fisiculturismo acolhe atletas iniciantes nessa faixa etária, com muitos competidores ativos até os 40 anos ou mais. Isso torna a transição não apenas viável, mas também natural.
“Rebeca Andrade já possui um shape, que é um shape em V. Então, é só secar, fazer aquele processo de desidratação, por um físico e ser campeã. Teria um grande futuro”, afirma Michellinha.
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O impacto que teria Rebeca Andrade no fisiculturismo
A participação de Rebeca Andrade em competições de fisiculturismo poderia ter um impacto significativo na popularidade da modalidade no Brasil. Atualmente, o país não tem uma grande representante na categoria pela falta de atletas.
“Seria épico! Valorizaria muito a categoria”, comenta Michellinha. “No Brasil, hoje, não temos a categoria fitness por falta de atletas. Só podemos abrir a categoria se tivermos de três a cinco atletas para ter um qualificatória. As ginastas aposentadas migrando para a categoria fitness seria uma revolução na modalidade”.
O reconhecimento que Rebeca já possui como atleta olímpica poderia atrair atenção midiática e um novo público para o fisiculturismo. Michelle Souza continua:
Ela já tem um físico. Já é genético. É igual à linha da figure. O físico da figure e da fitness coreográfica seguem a mesma linha, o V-shape. Porém, a fitness coreográfica tem acrobacia.
A estética do fisiculturismo e da ginástica artística se sobrepõem, fazendo com que a transição seja menos dramática do que muitos imaginam. O corpo de uma atleta de ginástica, com suas linhas e proporções, se encaixa perfeitamente nos critérios de avaliação das categorias de fisiculturismo.
O desafio e a dedicação necessária das ginastas no fisiculturismo
Ainda assim, a transição não é simples, detalha Michellinha. A dedicação necessária para treinar em musculação, cardio, pose e coreografia é intensa, e o comprometimento deve ser total.
Apesar do comprometimento de uma atleta de ginástica olímpica, colocar um físico da categoria no palco requer muita dedicação. Por isso que tem poucas atletas.
A rotina de treinos para uma atleta de Fitness é complexa. É preciso lidar com a pressão de uma apresentação, ao mesmo tempo em que se trabalha na transformação do corpo.
O futuro da categoria fitness no Brasil
Atualmente, o Brasil tem um número reduzido de atletas competindo na categoria Fitness. Quem quer competir, precisa ir para fora do país. Mas a transição da ginástica artística para a fitness do bodybuilding é bem próxima.
Michellinha afirma que “o Brasil precisa explorar e divulgar mais” essa categoria e uma atleta de renome, como Rebeca Andrade, poderia ajudar a abrir portas e inspirar novas gerações a se aventurarem no fisiculturismo.
Com a crescente popularidade das redes sociais e das transmissões de eventos esportivos no fisiculturismo, a visibilidade de figuras como Rebeca poderia catapultar a categoria Fitness para o mainstream, atraindo patrocinadores e aumentando o número de competidores.
Qual a opção após a aposentadoria de uma ginasta? Virar treinadora de ginástica ou vai para o circo. Cirque du Soleil eu já fiz audição. Ou vai para o circo da China. A maioria dos artistas de circo, na parte de ginástica olímpica e acróbatas, são ex-ginastas. Acho que não tem outro caminho. Mas poucas pessoas conhecem a categoria fitness.
Rebeca Andrade é bem próxima do fisiculturismo
Parece distante o relacionamento Rebeca Andrade e fisiculturismo, mas é bem mais próximo do que o imaginado. Isso porque a paulista já namorou um fisiculturista, Luiz Cleiton. Inclusive, ele foi campeão do Mr. Rio 2023 e teve a ginasta acompanhando a competição de perto.
Entretanto, Rebeca e Luiz terminaram o namoro de 2 anos enquanto Rebeca se preparava para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. A relação era muito forte, com o fisiculturista chegando a pedir a ginasta em casamento.

Sobre Michellinha Souza
Michelle Souza, a Michellinha, também apelidada de Pitbull, de 40 anos, é uma paulistana campeã estadual, brasileira e sul-americana de fisiculturismo, tendo vencido Mr. Olympia Brasil 2018 e 2021, na categoria fitness.
Também é bicampeã de pole dance e artista de circo com performances em aéreos, como tecido, lira e mastro chinês. Em 2022, Michellinha interrompeu a carreira no fisiculturismo por conta de uma cirurgia na coluna, chegando a ficar sem andar ao operar da hérnia de disco. Desde então, não competiu mais.
Minha intenção é voltar pro fisiculturismo e ficar na categoria Figure, pegar o Pro Card e migrar depois para a fitness. Minha vantagem é muito maior na fitness coreográfica por conta do circo, que eu sou circense. Já trabalhei com o espetáculo, com a arte do palco e fui professora de ginástica olímpica. Tenho uma longa bagagem.
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