O vôlei masculino brasileiro conta com grandes nomes na história do esporte. A modalidade é responsável por fornecer grandes histórias e conquistas para o país em todos os âmbitos.
Além disso, sempre formam grandes jogadores em todas as posições. Um deles é Bruno Rezende, também conhecido como Bruninho. O levantador da equipe há quase 20 anos contou um pouco sobre sua carreira e revelou com foi o período após as Olimpíadas de Londres 2012. Confira!
Bruninho e a seleção brasileira
O levantador começou sua caminhada na equipe principal de vôlei do Brasil em 2006. Desde então ganhou experiência, títulos, virou capitão e uma das grandes referências de sua geração. No seu hall de realizações estão a disputa de quatro Olimpíadas, sendo duas pratas, em 2008 e 2012, o ouro em 2016 e o 4º lugar em 2020.
Em entrevista para o Player Cast, Bruninho comentou sobre a prata de 2012 e sobre como o período foi muito difícil para ele. Naquela competição o Brasil estava jogando muito bem, chegou a grande disputa do ouro após vencer cinco jogos, com 4 triunfos por 3 x 0. Porém, o time foi superado pela Rússia, por 3 x 2, e ficou com o segundo lugar.
Vivendo esse sonho e confiando em todo processo! Todos juntos rumo ao objetivo ???? https://t.co/sesYPdp19o
— Bruno Rezende (@brunorezende1) July 21, 2021
Do Burnout ao ouro em 2016
Bruninho relembrou o período após a prata na principal competição do planeta, em seguida, revelou no podcast que teve Burnout. A saber, a síndrome é um distúrbio emocional ocasionado pelo cansaço e esgotamento profissional. Os primeiros sintomas podem ser exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.
Dessa maneira, o excesso de trabalho é a principal causa da doença, a síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes. Ocasionando assim outros problemas posteriormente, a ajuda profissional é muito importante para o tratamento do Burnout.
Pós-Londres foi muito traumático, muito difícil para mim. Na época não se falava muito de depressão, dessas coisas, mas eu tive Síndrome de Burnout. Foi no ano que fui para o RJX, nos primeiros treinos, os jogos eu fui expulso duas vezes. Tinha perdido a vontade! Só tinha raiva e ódio dentro de mim, perdi a paixão, o prazer, após aquela derrota. Vi o ouro tão próximo, que quando você perde, parece que você perdeu o chão.
O levantador abriu o jogo de como se sentia e como percebeu o que faltava e como foi a busca para as resoluções:
Dentro de mim, eu tinha aquele lance: Eu vou ser campeão olímpico e ninguém nunca mais vai poder falar ‘ah, você é filho do treinador’, porque aí não interessa, eu sou campeão olímpico e você não pode mais falar isso. Mas eu perdi a oportunidade da minha vida naquele momento. Eu estava pronto fisicamente, tecnicamente, mas faltava a parte mental. E eu busquei ajuda para me tirar do lugar que eu estava e voltar a sentir o prazer de entrar em quadra, de treinar e curtir o processo.
Qualquer semelhança não é mera coincidência! ?
? @sacandoovolei pic.twitter.com/jIYQ3tMGWZ
— Time Brasil (@timebrasil) January 24, 2022
Bruninho e a preparação para a Olimpíada do Rio
Após identificar como a parte mental era de suma importância para os seus objetivos, o levantador contou como o trabalho com Giuliano Milan, mentor de atletas de alta performance e especialista em neurociência, e o período na Itália foi de suma importância para o seu desenvolvimento:
Fizemos um trabalho muito bacana, comecei a entender melhor minhas emoções e a gerenciar elas. Depois ir para Itália, aprendi com o técnico Angelo Lorenzetti, na época foi muito importante para mim, o nível de competição. Foi meu ciclo de maior evolução mental, técnica e tática para chegar no Rio no melhor que eu poderia estar e poder entregar.
Depois de destacar a importância de acompanhamento e ajuda profissional, Bruninho finalizou o assunto contanto que o esporte possui o poder de passar grandes mensagens:
Quando acaba o Rio é como um filme, ‘cara perdi em Londres e no fim das contas quatro anos depois você conquista o ouro dentro de casa’. Tem todo um percurso, o esporte tem histórias que parecem filme e mensagens muito bacanas para serem mostradas.